Longe das discussões sobre o desemprego juvenil e dos demais mal-estares juvenis, desafiaria a senhora jovem ministra dos jovens e demais coisas análogas, que bem aprendeu a lição política dos dominantes que na hora de afronta se deve sempre pedir estatísticas, instrumento esse relativo e muitas vezes manipuladas por motivos políticos, a contabilizar a geração ni-ni (que nem estuda nem trabalha) cabo-verdiana. E convém tomar isto como uma contribuição para melhor compreensão das juventudes de Cabo Verde. Meter a cabeça na areia não é solução, muito menos recorrer a bluffs... bem poderia também tentar ajudar a outra jovem vereadora dos jovens da casa de Ulisses, mas coitada, seria perda de tempo... [Na imagem Geração Y]
"Uma mística de esquerda se impõe, não para recuperar um estado perdido ou realizar um paraíso desejado, como não sei que a nova variação sobre o tema de qualquer irenismo estúpido, mas para tornar possíveis, como contraponto, a potência do princípio de prazer e sua capacidade de informar o real contra o triunfo imperioso e indivisível garantido pela direita ao princípio de realidade em todos os lugares onde ela se encontrar, em todos os lugares onde ela governa. O hedonismo supõe a luta para contrabalançar os sucessos de Tânatos sobre o quotidiano com o auxílio das pilhérias de Eros." Michel Onfray. A política do rebelde: tratado de resistência e insubmissão. 2001. 130.
1. Preocupados com a situação de permanente instabilidade político-governativa em que a Guiné-Bissau foi forçada a viver desde praticamente a conquista da sua independência política, há quase quarenta anos; 2. Conscientes de que qualquer país em condições de instabilidade crónica, como a que se instalou na Guiné-Bissau, jamais poderá atingir qualquer objectivo de desenvolvimento e a consequente melhoria das condições de vida da esmagadora maioria da população, particularmente os mais desfavorecidos; 3. Considerando que é uma situação que tem vindo a colocar o País ano após ano entre os últimos do mundo em termos de índice de desenvolvimento humano, apesar do seu grande potencial em termos de recursos; 4. Tendo em conta que até este momento não se vislumbra nenhum caminho credível que possa conduzir o País a uma estabilidade duradoura, facto que foi confirmado com o último golpe militar do dia 12 de Abril e com a recente imposição pela CEDEAO de soluções externas que, ao nosso ver, não têm nada a ver com as disposições legais da Guiné-Bissau nem vão contribuir para fazer vencer a democracia no país; 5. Considerando a necessidade que todos os cidadãos têm de fazer valer os seus direitos e deveres no contexto das democracias do mundo contemporâneo, e tendo sido muitas vezes chamados a desempenhar funções técnicas e políticas relevantes; 6. Tendo tudo isso em consideração: um grupo de intelectuais guineenses decidiram juntar a sua voz a milhares de outros guineenses e amigos da Guiné-Bissau que querem dizer basta à desordem, basta à violência, é chegado o momento de os cidadãos da Guiné-Bissau, como nos outros países, começarem a sentir as suas forças de defesa e segurança como um protector e não como uma ameaça permanente, como tem sido até agora; 7. Você que é intelectual guineense ou amigo da Guiné-Bissau que comunga do mesmo ideal, dentro ou fora do território nacional, junte-se a nós. Documento completo aqui[Foto de anónimo na manifestação silenciosa junto ao Parlamento guineense]
Nunca tive tanta certeza como hoje de que a vassalagem institucional é algo problemático neste país, que a comunicação linkada em baixo tem razão de ser e que a ministra Janira é uma boa política mas não têm qualquer noção da realidade... e declaro a minha condição de optimista trágico e pondero nunca mais apresentar comunicações numa sociedade sem qualquer capacidade crítica e exageradamente conformista como a nossa. É frustrante e decepcionante. Viva a ignorância e o lambebotismo... e a cultura da mediocridade. O que se quer no país é gente tapada e senhores letrados que dizem sim senhor e fuga para frente... Juventudes, estilos de vida, processos de identificação e de afirmação na cidade da Praia
"A associação da esquerda ao demoníaco não é destituída de razão, sem fundamento ou qualquer fundo de verdade. De facto, o demónio o diabo, é aquele que, dentro da lógica cristã, preferiu se revoltar, desobedecer a Deus. Submeter-se, não reflectir, aceitar a ordem e a lei definidas e desejadas por Ele, eis o que constituía a legitimidade angélica das criaturas aladas. Em compensação, o espírito das trevas, o diabo, define aquele que escolheu exercer sua liberdade, sua autonomia, sua independência e opta pelo livre arbítrio contra a submissão aos imperativos divinos. Princípio libertário contra princípio da autoridade, tudo está dito, ou quase. A cólera como meio dinâmico, o hedonismo como conteúdo, a vontade libertária à guisa de recurso, eis o que permite desde o presente uma tipologia mais precisa da esquerda de que falo." Michel Onfray. A política do rebelde: tratado de resistência e insubmissão. 2001. 124.
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